Minutos preguiçosos empurravam os ponteiros do relógio do corredor agitado. Conversas vãs com uns e outros que vinham e iam. Espreitadelas por entre as vidraças da porta prateada e fria. A aterragem foi apneica e taquicárdica. Mas, a viagem do R. terminara à hora prevista...
Caído nos braços um corpito robusto embrulhado numa manta com perfume a salada de maracujá que teimava em não espreitar nos óculos trapalhões. Um turbilhão de pensamentos e magicada a história: o R. será o primeiro, o vencedor do prémio dos óculos mágicos, um prémio à escolha se deixar os óculos colados no rosto até segunda-feira...
Os olhos molhados, embebidos numa compota transparente, pestanejaram e olharam a parede azul-céu, com um espanto de fazer gargalhar o coração... E, logo as mãos fortes repuxaram os óculos. Mas, pintei a história dos óculos mágicos e a ânsia dos dias que se desenrolam é o prémio de amanhã.
O prémio? Com o seu ar de libelinha orgulhosa, desenhado pelos óculos mágicos desajeitadamente colados nas bochechas e dedo esticado no ar, diz: cuecas amarelas... A cor favorita do R. continua a ser o amarelo...
A todas as mãos que entrelaçaram as nossas nesta viagem do R....
E, às que varreram o nevoeiro dos olhos do R....
Obrigado pela vida a cores!
| A libelinha orgulhosa |




