Sofia Ribeiro Fernandes, crónicas de uma Mãe Pediatra e de uma Pediatra Mãe



Sofia Ribeiro Fernandes, crónicas de uma Mãe Pediatra e de uma Pediatra Mãe


domingo, 26 de março de 2017

Felicidade= Happiness= Felicità= Geluk= 幸福= Glück

A felicidade, às vezes, parece difícil, impossível, longínqua...mas garanto eu, que não é. A felicidade é tímida e forreta. Vem aos bocadinhos, envergonhada e é preciso chamar por ela. É nos momentos mais crus, mais ínfimos, mais baratos que a felicidade mora. É preciso saber vê-la, senti-la e respira-la. É preciso não buscar a perfeição no que é ser feliz... Ser feliz é uma gargalhada no meio do nada, é o primeiro respirar de uma vida, é uma conversa de corredor, é uma viagem de poucos dias, é a S ir de sandálias para o colégio em pleno Inverno, é o primeiro dente que nasce, é o fim de uma vida indigna, é uma dança no meio da sala a tropeçar nos brinquedos espalhados. Ser feliz não é uma casa na Foz ou a última tendência Dior. Ser feliz não é um estado, mas é um instante, breve e veloz. 
O segredo: viver com o coração e olhar à procura da felicidade onde não parece haver nada...

(Felicidade é também ouvir isto nos silêncio da noite https://youtu.be/4C8e7nNLZNs)


Keep simple

segunda-feira, 20 de março de 2017

C-á-r-m-i-n-a, com acento

(Com música, seria esta: https://youtu.be/lAwYodrBr2Q?list=RDQB0ordd2nOI)

Escrevi-lhe a 25 de Outubro de 2016:

C-á-r-m-i-n-a com acento... (Tal como costuma relembrar a quem pronuncia mal o nome e a quem o diz de uma forma menos forte e intensa a que tem direito.) 
Com acento escrito no nome e na alma. Tem nos braços o embalo de avó e no peito um amor sem medida. O rosto debruçado sob a Maria encobre uns olhos vivos para além das suas 7 décadas de mulher. Reluz na dança combinada com a Sofia a sabedoria dos anos, mas a juventude de um pensamento tão rara de se encontrar. 
Cármina com acento. E, mais não preciso dizer...


As mãos débeis tactearam: 

Obrigada pelos olhos sensíveis e belos da maneira como me vês! Beijos de gratidão...

E, é isto.
Ficaram pelo caminho meses de angústia, dor e uma doença galopantemente desconhecida. Mas, disso soube libertar-se e por isso, já não interessa nada.
Muito mais do que isso: ficou desenhado um caminho em que as risadas, os retratos de instantes da S que nem eu documentei, as danças marchadas pela sala fora, a pronúncia de Viseu, o arroz com frango e as almôndegas gigantes, os conselhos sábios e os ouvidos atentos dos meus desvarios de mulher-ainda-jovem. Estamos no seu caminho e sabemos que o continuará a desenhar com um pau de giz como rascunhava as letras de primária na escola da Gafanha...
Obrigada por ser tão somente C-á-r-m-i-n-a, com acento, é claro!


Tal e qual



O primeiro ano e os muitos anos das Catarinas

N-Ó-S

N-Ó-S


O olhar sobre a Maria que continua
Uma foto do seu perfil de FB, a que mais gosto


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Os filhos dos outros

Os filhos dos outros.
Aos filhos dos outros daríamos repreensões severas nas birras do corredor do supermercado. Aos filhos dos outros não daríamos tablets para acabar de almoçar em silêncio. Aos filhos dos outros tiraríamos a chupeta, a fralda, o leitinho da noite em tempos escritos nas revistas. Aos filhos dos outros cumpriríamos todas a regras de etiqueta, todos os calendários, todos os timings. Aos filhos dos outros não se admitiriam erros ortográficos, mentiras de miúdo, asneiras de conversas de escola.
Quantas vezes já deram por vocês a dizer «Ai, se fosse meu filho...»? Pois, mas não é. É filho dos outros. A educação no colo dos outros é fácil, crítica, desinibida e até leviana. O «se fosse meu filho, não faria isto ou aquilo...», é quase leviano e eu própria já o fiz (antes de ser Mãe). É impossível separar o coração e a razão, o que vem escrito nos livros científicos e o que sai da boca em determinado momento. É questionável o abraço que sai dos braços quando o momento devia ser de olhar repreensivo. É questionável levar mudas para a escola para o caso de ..., sabendo que em caso de ... a reprensão devia ser o não ter muda de roupa (será que devia?). É questionável quando falamos dos filhos dos outros, mas não é questionável quando falamos dos nossos filhos. Não tem que ser questionável quando se funde o coração (e, quando este é enorme) e a razão. Sou de um amor permissivo qb e deixei de tentar de ser mãe dos filhos dos outros.
Porque sem amor, tudo é mais fácil, objectivo, duro. Mas com forte tendência a congelar.


Eu, numa birra fotográfica



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Frida Kahlo

«I paint flowers so they will not die...»
Frida Kahlo



A S em modo Frida no Carnaval de 2016...
A pequena pintora mexicana estranhamente desafiante

Monocelha e bigode...maravilhosa!








terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

(E)namorados

Namorado é o homem de mãos desastradas que te lava o cabelo no chuveiro quando não podes vergar-te, molhar a cicatriz estragada da cesariana e não tens força para erguer os braços, porque a dor, a febre e angústia do momento estragado não te deixam fazê-lo. Guardo esse instante como a maior aliança que nos une (e acho que tu nem sabes porque nunca falamos disso).
Tão simples e só.


(E)namorados