Sofia Ribeiro Fernandes, crónicas de uma Mãe Pediatra e de uma Pediatra Mãe



Sofia Ribeiro Fernandes, crónicas de uma Mãe Pediatra e de uma Pediatra Mãe


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Regresso às crónicas

Pausa. Espaço. Reticências de muitos pontos. Eco.
30 dias de pausa, silêncio de um teclado mudo.
Mas, regressou o perfume a caril, apimentado de palavras, os temas que vêm à cabeça e que apetecem escrever... Temas que vêm e vão, metade já nem me lembro.
Regresso às crónicas e espero que regressem comigo...


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A chegada do R.

E há 6 anos foi assim...
Lua grávida de luz tal e qual eu, sem ter mais por onde esticar. Janela entreaberta a deixar espreitar a luz do candeeiro fosco da rua vazia. Brisa quente ofegante que não entra. Dor visceral que abraça o útero e aperta o diafragma num passo ritmado ofegante. Dor que se reconhece, indescritível, que tem sabor a um medo inquieto de o conter no colo. Registos solitários de minutos que se encurtam. Retrato de um sorriso eufórico à espera de um ideal previsível. Horas a fio, imensas, de um entra e sai de rostos que vêm e vão e vozes dos que ficam. Retalhos de mulher que aguenta, sem esgar de dor, que se esquece de como respirar, que tem uma sede imensa e que entrou num estado de inercia pelo cansaço. Passaram 12 horas e por entre mãos afiadas que espreitam e comentários sussurrados, a percepção do não está a correr bem aparece em flashs de pensamento. Braços a empurrar a barriga-balão, um calor e uma sede insuportáveis, ouvia-se o primeiro grito débil de menino.
Desaparece a dor. Dissipa-se o calor. Molham-se os lábios. Solta-se um sorriso. E, nesta mixórdia de emoções, o grito débil fica gemido e o menino vira azedo e vai para o reino dos castelos de paredes transparentes. 
Lágrimas rolam no rosto, caladas pelo silêncio das duas da manhã. Que breve instante de maternidade...Que breve sorriso...Que breve momento...Ainda tinha de esperar 17 dias...
Foi assim há 6 anos. 

Barriga-balão no dia do nascimento

Cheguei...

R. & o reino dos castelos de paredes transparentes



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Dia dos Avós


Avós de ontem: cabelos caiados de branco, chá de cidreira num bule antigo, beijos que fazem estalidos no ouvido, perfume Tresor com pronúncia de um francês antigo a besuntar o lobo da orelha, passos vagarosos de muitos anos, bife de perú com batatas fritas às escondidas todos os almoços antes dos testes, conselhos antigos que se escutam com ouvidos de mercador.
Avós de hoje: a rondar os cinquenta e poucos anos, cabelos sexys grisalhos ou  tingidos num cabeleireiro sofisticado, corpos ginasticados e de fazer inveja a muitos miúdos de vinte, acelerados, com o perfume de último grito, bonitos e que se confundem com os namorados, palavras  soltas como o pensamento rápido, viajados, mas que também fazem salsichas gourmet às escondidas.
Restam-me os avôs de ontem e tenho os avós (do R.) que são avós de hoje...
Resta-me um O-B-R-I-G-A-D-O que não se diz, não se escreve,  mas acho que se sente pelo que são para NÓS.

Aos Avós um Feliz Dia... Pelas sopas cozinhadas, pelas salsichas às escondidas, pelas palavras, pela angústia, pelas mãos sempre estendidas e sobretudo pelo A-M-O-R interminável...

Vovo B., cabelo riscado de amor


Vovo L, cor de cevada


Sem comentarios
Vovos cor de cevada e labios de morango
Vovo J, almofadinha de mimo
Vovo G, labios de morango

Avo F, o avo de ontem mais de hoje


quinta-feira, 25 de julho de 2013

C-H-O-C-A-N-T-E

Calor desértico que faz ondular o asfalto & cabeça nas nuvens de um corre-corre sem igual é, numa operação matemática de somar igual a erro fatal. Podia chamar-lhe negligente, decadente, mentalidade dormente, irresponsável, detestável, porque julgar é sempre o caminho menos tortuoso, mas prefiro não o fazer... Ocupa-me um pensamento aterrador: pode acontecer ao melhor dos vizinhos da rua, ao professor que se atrasa para uma aula, ao Pai que leva o miúdo à escola de vez em quando... E, um pensamento ainda mais aterrador assistir ao sofrimento solitário, ofegante e suado... É uma luta desigual aprisionada pelos vidros do carro e pelos cintos da cadeira de segurança (parece quase caricato dar-lhe este nome neste contexto)... Porque sei que acontece, que existe e que não são precisos muitos minutos, deixo ficar o alerta brilhantemente conseguido...ABRIR

terça-feira, 23 de julho de 2013

APELO

Lembram-se???

Chave a chave debruça-se o pensamento, recheiam-se as páginas, nasce o livro. Chaves com rosto de galo de Barcelos, chaves com perfume de samba e caipirinha, chaves que contam, chaves que são, chaves que não existem. A minha chave não conhece as outras chaves que namoram nas folhas do livro e anseia o abraço das chaves num Palácio de Lisboa.
Um salva de palmas à ideia arrojada. Uma salva de palmas a quem moldou chaves no pensamento. Uma salva de palmas ao livro A Magia das Chaves.

Em tom de vendedora de rua, apregoo o livro em que tembém desenho uma chave, a chave que é minha e do R. tal e qual ela é. De mão na cintura sem avental (posso dizer que estou de bata imaculada) continuo na cantiga de varina: Quem quer?Quem quer?

Já à venda na livraria Lello & Irmão, maravilhosa pincelada de detalhes de magia. 
A totalidade do valor é a favor da ACREDITAR e o autografo é Meu sem qualquer acréscimo de valor...